quinta-feira, 30 de abril de 2009

Triste, gélido e apagado

Querido amor,
Hoje, (pela primeira vez), voltei a caminhar o mesmo percurso da nossa rotina conjunta.
Passei pelos mesmos sítios, fiz as mesmas paragens, sentei-me no mesmo banco.
O mesmo banco gasto pelos beijos e abraços de que éramos feitos, o mesmo banco que hoje é moldado pelas lágrimas derramadas sobre lembranças perdidas, pelos sentimentos sofredores e fatigantes.
Aquele banco tornou-se triste, gélido e gasto pelos sonhos altos que lá tenho desprendido, pelos sonhos altos que em tempos lá vivi.
Aquele banco tornou-se triste, gélido e apagado pela ausência de corpos amantes, pela carência de gargalhadas e toques afectuosos.
O sentimento esvaiu-se pela pedra e o banco morreu.
O banco morreu porque tu o deixaste morrer, porque tu não conseguiste mais olhar-me nos olhos com o mesmo fulgor, com o mesmo coração.
Oh, o coração.
Amor, o sol brilha mas o coração está tão baixo.
O vento sopra, mas não tem força suficiente para com ele levar o desânimo e a tristeza mórbida.
O vento não tem força para matar(-te) de mim, (como tu mataste o banco), a imensidão de dor que ainda cá reside.
E agora eu contemplo o banco melancolicamente, agora eu guardo um lugar ao meu lado para que te voltes a sentar e juntos nos envolvamos num mundo onde eu (finalmente) te possa dizer: Eu amo-te para além da linha do mar; amo-te tão certamente quando na Primavera os campos se enchem de flores vivazes, quanto no Outono as folhas caem sem pudor; e sim, é Amor.

sexta-feira, 3 de abril de 2009

És tu, meu amor


Um dia acreditei que as nossas vidas se conseguiriam unir tão perfeitamente quanto os nossos dedos se entrelaçavam.
Acreditei que cada vez que te sentisse partir tu voltarias a correr para me embalar na tua ternura.
Acreditei, (e acredito), que sempre que o meu mundo me decidisse cair nos ombros, tu estarias lá para me ajudar a acartar com o peso, para me dar força a cada vez que fraquejasse.
Acreditei, se acreditei.
Eu acreditei que nós seríamos resistentes ás maiores tempestades, ás piores rajadas de miséria.
Não acreditei que viéssemos sequer a ser perfeitos, acreditei que juntos caminhariamos para o quase.
Acreditei também que as palavras arrastadas não se fossem esbatendo ao sabor do vento, que as tardes entregues ao silêncio e ao conforto dos teus braços não passassem de meramente passageiras.
Porque eu gostava, eu gostava de me sentar ao teu lado e ali nos entregarmos, juntos, ao silêncio.
Eu gostava de te observar enquanto respiravas, gostava de olhar-te nos olhos e deixar-me ficar assim, a vaguear neles.
Porque tu, e só tu, conseguias prender-me ao presente, fazer do cinzento um arco-íris, da apatia uma gargalhada sonora e feliz.
Tu fazias com que os rios de palavras se fizessem tácteis, concretos e sentidos.
Tu fizeste vir ao de cima tantas emoções retraídas e abandonadas a um canto escuro da minha mente.
Foste tu, és tu.
É a ti que eu proclamo em silêncio o que tu não queres saber, e é em ti que eu vejo o que não quero sentir.
Mas quem sabe, talvez um dia nós não voltemos a caminhar o mesmo caminho, sob o mesmo céu azul, pisando o mesmo chão gasto, (novamente) de mão dadas?
(Continuo a dizer-te), Amar-te é tão pouco, meu amor.