Tenho saudades de escrever para ti. Sim para ti, sempre senti que escrevia para ti e não sobre ti porque, afinal, tudo isto são as palavras que nunca tive coragem de te dizer e que tu, admite, não quiseste ouvir. Tudo o que está escrito neste espaço tu sabes, tu sentiste nas próprias mãos, nos próprios lábios mas deixaste escapar tudo entre os dedos porque é tão mais fácil fingir que não se sabe do que enfrentar uns olhos cheios de amor e não conseguir responder-lhes de volta. Sempre foste adepto do caminho mais fácil mas isso nunca acabou a beneficiar nenhum dos dois, eu fiquei na merda e tu sempre a voltar para me limpar as lágrimas. Porque voltaste tantas vezes quando nunca tiveste a intenção de ficar? Eu esperei, eu sentei-me no mesmo sítio uma e outra e mais quantas vezes à tua espera e tu viesses, tu vinhas e eu abria os braços para te receber de volta, prendia os meus olhos aos teus para que não pudesses escapar mais mas quando menos esperava (e mais precisava de ti) tu desaparecias, deixavas-me caída no escuro, entre nós ficava aquele enorme abismo cavado e depois sobriamente tudo acabou. As estrelas caíram-me sobre os ombros e o chão sumiu-se entre os meus pés, eu senti cada pesar em todas as zonas do meu corpo, tu viste como me doía a alma e como me doía o coração, mas mais uma vez afastaste-te até eu não te conseguir falar com os olhos.E agora, agora tu partiste mais uma vez, mas quando eu pensava que não podias afastar-te ainda mais de mim tu arranjaste forma de o fazer, mudaste de cidade, abraçaste-me com força e eu deixei-me chorar no teu ombro enquanto a palavra “saudade” saía da minha boca. E eu tenho tantas saudades tuas, amor meu, morro de amor por ti e confesso, amar-te foi o desafio mais difícil a que alguma vez me submeti.

